Compressão dinâmica
A redução da dinâmica é produzida pela combinação de três etapas: compressão, limitação e recorte.Estas etapas trabalham de forma complementar para diminuir a dinâmica do sinal e aumentar a energia média. Quanto maior a ação conjunta, mais “denso” e “compacto” será o som. Portanto, os ajustes devem ser feitos em conjunto. Em termos gerais:
- O compressor trabalha com inclinações suaves e limiares baixos, reduzindo a dinâmica em uma ampla faixa de níveis.
- O limitador atua com inclinações abruptas e limiares mais altos, aplicando grande redução de ganho para que o sinal não ultrapasse o limiar. Sua ação pode ser muito notória.
- Os tempos de ataque costumam ser mais lentos no compressor e muito rápidos no limitador. Desta forma, os ataques que ficam abaixo do limiar do limitador são preservados, proporcionando naturalidade. Os ataques que o superam são atenuados pelo limitador, dependendo do ajuste de DRIVE.
Compressor multibanda
As cinco bandas de trabalho correspondem às definidas no AGC multibanda. Cada compressor é independente e conta com os seguintes ajustes:
- Limiar (THS): nível a partir do qual o compressor começa a atuar. Uma vez atingido o limiar, entra em ação o tempo de ataque e depois a atenuação segundo a relação de compressão.
- Ratio: define a atenuação aplicada em uma faixa de 1:1 a 10:1. Os compressores utilizam transição suave (soft knee). Como regra geral, quanto menor o limiar, menor o ratio; quanto maior o limiar, maior o ratio. Um limiar baixo com compressão suave afeta mais sinais, o que combinado com o limitador produz um som mais compacto.
- Ataque: tempo que leva para o compressor atuar após ultrapassar o limiar. Quanto maior for, mais impacto terá essa banda, mas também mais recorte deverá realizar o limitador e o clipper. O ajuste depende do material:
- Rock/pop → tempos mais lentos, proporcionam impacto e sensação de faixa dinâmica.
- Percussão → convém usar ataques lentos nas bandas LOW e M1 para maior “punch”.
- Música orquestral/jazz/piano → convêm ataques rápidos para preservar naturalidade.
- Recuperação (Release): tempo para recuperar o ganho unitário ao cair abaixo do limiar. É um ajuste chave para a sensação de faixa dinâmica:
- Recuperação lenta → o compressor atua todo o tempo, como um leveler. Mantém dinâmica mas não gera grandes aumentos de sonoridade.
- Recuperação rápida → reforça transientes e ataques. Exemplos:
- Música eletrônica → recovery curto nos graves para que cada kick seja afetado pelo ataque.
- Banda de agudos → recovery rápido aumenta presença e brilho, mas pode endurecer o som.
- Retenção (Hold): tempo durante o qual se mantém a compressão uma vez ativada, independentemente da variação de entrada. Quanto maior a retenção, menor a agressividade do processo mas também menor a sonoridade.
Limitador multibanda
Os limitadores aplicam uma relação fixa próxima a 100:1.
- Limiar (THS) e DRIVE:
- DRIVE aplica ganho antes da limitação. Equivale a um controle de nível de saída no compressor. Se o DRIVE é aumentado mantendo o limiar, mais picos são limitados e aumenta a energia da banda.
- Se o limiar é baixado, aumenta a limitação mas reduz a energia. Para compensar, pode-se elevar a banda no Density EQ.
- Ataque (ATK): durante o tempo de ataque, o limitador deixa passar picos que serão contidos mais adiante pelos recortadores. Ataques rápidos minimizam o recorte, mas o som se torna “plano” e pouco natural.
- Hold e Release: funcionam de modo análogo aos do compressor.
Density EQ
O equalizador de densidade permite ajustar o balanço espectral do som, dosando quanto cada banda contribui para a mixagem final.
Clippers (etapas de recorte)

Band Clippers
Os limitadores de banda funcionam como recortadores suaves (soft clippers), contendo os picos que atravessam a etapa de compressão devido aos tempos de ataque. O controle principal ajusta o limiar de recorte. A referência “0” equivale a 100% de modulação de áudio.- Limiar abaixo de zero → essa banda nunca chegará a modular 100% por si só, embora a soma das bandas sim o faça.
- Limiar em zero ou superior → não garante alcançar 100%, pois depende do nível no Density EQ.
Acima do limiar, o indicador marca o sinal limitado em cor laranja. Na prática, os band clippers são ajustados em 100% ou até 1 dB abaixo de zero, exceto a banda de graves, que costuma ser configurada entre 2 e 6 dB abaixo para deixar margem na soma final.
Limitador de banda larga (WB Limiter)
A soma das bandas é realizada depois dos limitadores individuais. Mesmo que estejam ajustados em 100%, a soma gera picos acima desse valor. O limitador de banda larga contém esses picos, mantendo o sinal em 100%. Este limitador “prediz” a atenuação necessária com um sistema de look ahead (ataque zero), evitando distorção harmônica. O limiar é fixo em 100% de modulação.- O controle DRIVE permite amplificar a mixagem, aumentando a ação do limitador e, portanto, a energia total.
- O controle SHAPE introduz recorte suave para trabalhar com limitações mais altas, minimizando efeitos de intermodulação. Este recorte só entra em ação com densidades elevadas de picos, ficando mascarado ao ouvido.
A limitação em banda larga aumenta a sonoridade até reduções de 6 dB. Além desse ponto, não traz benefícios e pode gerar um som plano e sem profundidade.
Recortador de MPX (MPX Clipper)
Ao final da cadeia, os sinais soma (L+R) e diferença (L–R) são recortados separadamente com um recortador suave. O limiar se localiza em 100% de modulação. O controle DRIVE aplica ganho antes do recorte:- DRIVE = 0 → o recorte é praticamente nulo.
- DRIVE = 1 dB → implica em 1 dB de recorte.
- Valores de 0,5 a 1 dB são toleráveis na maioria dos casos.
- Valores maiores geram um som mais áspero, que alguns identificam como “FM style”.