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Compressão dinâmica

A redução da dinâmica é produzida pela combinação de três etapas: compressão, limitação e recorte.
Estas etapas trabalham de forma complementar para diminuir a dinâmica do sinal e aumentar a energia média. Quanto maior a ação conjunta, mais “denso” e “compacto” será o som. Portanto, os ajustes devem ser feitos em conjunto.
Em termos gerais:
  • O compressor trabalha com inclinações suaves e limiares baixos, reduzindo a dinâmica em uma ampla faixa de níveis.
  • O limitador atua com inclinações abruptas e limiares mais altos, aplicando grande redução de ganho para que o sinal não ultrapasse o limiar. Sua ação pode ser muito notória.
  • Os tempos de ataque costumam ser mais lentos no compressor e muito rápidos no limitador. Desta forma, os ataques que ficam abaixo do limiar do limitador são preservados, proporcionando naturalidade. Os ataques que o superam são atenuados pelo limitador, dependendo do ajuste de DRIVE.

Compressor multibanda

As cinco bandas de trabalho correspondem às definidas no AGC multibanda. Cada compressor é independente e conta com os seguintes ajustes: 542 Procesado Compresor Pn
  • Limiar (THS): nível a partir do qual o compressor começa a atuar. Uma vez atingido o limiar, entra em ação o tempo de ataque e depois a atenuação segundo a relação de compressão.
  • Ratio: define a atenuação aplicada em uma faixa de 1:1 a 10:1. Os compressores utilizam transição suave (soft knee). Como regra geral, quanto menor o limiar, menor o ratio; quanto maior o limiar, maior o ratio. Um limiar baixo com compressão suave afeta mais sinais, o que combinado com o limitador produz um som mais compacto.
  • Ataque: tempo que leva para o compressor atuar após ultrapassar o limiar. Quanto maior for, mais impacto terá essa banda, mas também mais recorte deverá realizar o limitador e o clipper. O ajuste depende do material:
    • Rock/pop → tempos mais lentos, proporcionam impacto e sensação de faixa dinâmica.
    • Percussão → convém usar ataques lentos nas bandas LOW e M1 para maior “punch”.
    • Música orquestral/jazz/piano → convêm ataques rápidos para preservar naturalidade.
  • Recuperação (Release): tempo para recuperar o ganho unitário ao cair abaixo do limiar. É um ajuste chave para a sensação de faixa dinâmica:
    • Recuperação lenta → o compressor atua todo o tempo, como um leveler. Mantém dinâmica mas não gera grandes aumentos de sonoridade.
    • Recuperação rápida → reforça transientes e ataques. Exemplos:
      • Música eletrônica → recovery curto nos graves para que cada kick seja afetado pelo ataque.
      • Banda de agudos → recovery rápido aumenta presença e brilho, mas pode endurecer o som.
  • Retenção (Hold): tempo durante o qual se mantém a compressão uma vez ativada, independentemente da variação de entrada. Quanto maior a retenção, menor a agressividade do processo mas também menor a sonoridade.

Limitador multibanda

Os limitadores aplicam uma relação fixa próxima a 100:1. 542 Procesado MB Limiter Pn Cada banda dispõe de cinco controles:
  • Limiar (THS) e DRIVE:
    • DRIVE aplica ganho antes da limitação. Equivale a um controle de nível de saída no compressor. Se o DRIVE é aumentado mantendo o limiar, mais picos são limitados e aumenta a energia da banda.
    • Se o limiar é baixado, aumenta a limitação mas reduz a energia. Para compensar, pode-se elevar a banda no Density EQ.
  • Ataque (ATK): durante o tempo de ataque, o limitador deixa passar picos que serão contidos mais adiante pelos recortadores. Ataques rápidos minimizam o recorte, mas o som se torna “plano” e pouco natural.
  • Hold e Release: funcionam de modo análogo aos do compressor.

Density EQ

O equalizador de densidade permite ajustar o balanço espectral do som, dosando quanto cada banda contribui para a mixagem final. 542 Procesado Density EQ Pn Quanto mais se eleva uma banda no Density EQ, mais próxima fica de seu recortador e maior é a sonoridade, mas também se reduz a dinâmica por recorte suave, o que gera um som mais áspero.

Clippers (etapas de recorte)

542 Procesado Clippers Pn

Band Clippers

Os limitadores de banda funcionam como recortadores suaves (soft clippers), contendo os picos que atravessam a etapa de compressão devido aos tempos de ataque. O controle principal ajusta o limiar de recorte. A referência “0” equivale a 100% de modulação de áudio.
  • Limiar abaixo de zero → essa banda nunca chegará a modular 100% por si só, embora a soma das bandas sim o faça.
  • Limiar em zero ou superior → não garante alcançar 100%, pois depende do nível no Density EQ.
Os indicadores de nível mostram o sinal de cada banda e a quantidade de limitação.
Acima do limiar, o indicador marca o sinal limitado em cor laranja.
Na prática, os band clippers são ajustados em 100% ou até 1 dB abaixo de zero, exceto a banda de graves, que costuma ser configurada entre 2 e 6 dB abaixo para deixar margem na soma final.

Limitador de banda larga (WB Limiter)

A soma das bandas é realizada depois dos limitadores individuais. Mesmo que estejam ajustados em 100%, a soma gera picos acima desse valor. O limitador de banda larga contém esses picos, mantendo o sinal em 100%. Este limitador “prediz” a atenuação necessária com um sistema de look ahead (ataque zero), evitando distorção harmônica. O limiar é fixo em 100% de modulação.
  • O controle DRIVE permite amplificar a mixagem, aumentando a ação do limitador e, portanto, a energia total.
  • O controle SHAPE introduz recorte suave para trabalhar com limitações mais altas, minimizando efeitos de intermodulação. Este recorte só entra em ação com densidades elevadas de picos, ficando mascarado ao ouvido.
A limitação em banda larga aumenta a sonoridade até reduções de 6 dB. Além desse ponto, não traz benefícios e pode gerar um som plano e sem profundidade.

Recortador de MPX (MPX Clipper)

Ao final da cadeia, os sinais soma (L+R) e diferença (L–R) são recortados separadamente com um recortador suave. O limiar se localiza em 100% de modulação. O controle DRIVE aplica ganho antes do recorte:
  • DRIVE = 0 → o recorte é praticamente nulo.
  • DRIVE = 1 dB → implica em 1 dB de recorte.
  • Valores de 0,5 a 1 dB são toleráveis na maioria dos casos.
  • Valores maiores geram um som mais áspero, que alguns identificam como “FM style”.
Usar esta técnica apenas se for necessário alcançar níveis de sonoridade muito altos no ar.